quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

UMA GRANDE LIBERTAÇÃO
















Lancei-me ao trabalho de uma maneira que nada tinha de cristã e de humilde. Uma ambição desmedida, que era notada por muitos, dificultou-me a vida e privou-me do amor e da confiança de meus semelhantes. Sentia-me muito só e abandonado naquele tempo. Era uma situação muito ruim. Mas, então, aconteceu algo que transformou a minha vida e lhe deu um outro rumo, até hoje. Pela primeira vez cheguei à Bíblia. Também isso é muito ruim de dizer. Já tinha tinha feito muito sermão, já tinha visto, falado e escrito muito da Igreja - mas ainda não tinha me tornado cristão, antes tinha vivido de modo selvagem e indômito como dono de meu próprio nariz. Sei perfeitamente que usei, naquele tempo, a causa de Jesus Cristo para meu próprio proveito, para satisfazer a minha vaidade louca. Peço a Deus que isso nunca mais aconteça. Também jamais rezara, ou muito pouco. Apesar de toda a minha solidão estava bastante contente comigo mesmo. Desse estado me livrou a Bíblia e, especialmente, o Sermão da Montanha. Desde então tudo mudou. Eu percebi isso claramente, e até outras pessoas que me eram próximas o notaram. Foi uma grande libertação. Tomei consciência de que a vida de um ministro de Jesus Cristo deve pertencer à Igreja e, passo a passo, ficou mais claro para mim que é necessário que seja assim. Veio, então, a aflição de 1933. Ela me confirmou em minha atitude. Passei a encontrar pessoas que se voltavam para o mesmo objetivo. Agora, só me interessava a renovação da Igreja e de seu ministério...
O pacifismo cristão, que eu combatera até então com paixão, revelou-se uma opção óbvia. E assim continuei, passo a passo. Era só o que via e no que pensava...
DIETRICH BONHOEFFER
(Fonte: BONHOEFFER, D. A resposta às nossas perguntas: reflexões sobra a Bíblia. Trad. de A. J. Keller. São Paulo: Loyola, 2008. pp. 12-13)

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